4 obras de arte comentadas em “Dentro do nevoeiro”, de Guilherme Wisnik


1. A série de vídeos Tornado (2000-10), do artista belga Francis Alÿs

“Francis Alÿs se lança à busca insana de tornados nos desertos do México. Na série de vídeos Tornado(2000-10), o artista persegue esses ciclones em seus momentos de formação, mergulhando na opacidade de seus interiores turvos com a câmera na mão, expondo-se corporalmente a essas forças desestabilizantes… Vivemos sob a ameaça do desastre iminente, parece nos dizer esse trabalho. Mas Alÿs se oferece artisticamente em sacrifício, imaginando talvez que a única forma de compreender o mundo contemporâneo seja penetrando nessa voragem sem controle.” (pp. 265-672)

2. Descension (2017), pelo indiano-britânico Anish Kapoor

“Em Descension, trabalho de arte pública instalado em 2017 no Brooklyn Bridge Park, em Nova York, Anish Kapoor constrói uma piscina circular próxima ao East River, na qual a água gira violentamente em torno a um vórtice central que a suga para dentro da terra, enquanto o movimento espiral gera uma expansão das ondas em direção às bordas, parecendo crescer e extravasar continuamente sua geometria contida. Essa “piscina negativa”… Kapoor relaciona ao momento de regressão política dos Estados Unidos no governo Donald Trump.” (p. 269)

3. Mácula (1994), pelo brasileiro Nuno Ramos

“O trânsito entre linguagem, corpo e signo é uma questão recorrente na obra de Nuno Ramos, particularmente explícita em trabalhos como Mácula (1994), em que uma escrita agigantada em braille feita com gesso dá relevo e consistência ao texto, ao mesmo tempo que mantém o seu sentido velado. Trata-se de uma reflexão crucial em um mundo feito, cada vez mais, de fluxos imateriais, de códigos incorpóreos, onde as trocas perderam o lastro, tornando-se uma espécie de linguagem autônoma, signos flutuantes, mercadorias sem forma.” (pp. 275, 277)

4. The mediated motion (2001), pelo dinamarquês-islandês Olafur Eliasson

“Em 2001, [Eliasson] criou a instalação The mediated motion, no interior do [museu] Kunsthaus Bregenz, na Áustria. Feita em colaboração com o paisagista Günther Vogt, a obra reage à atmosfera de estímulos dada pelo edifício projetado por Peter Zumthor, gerando paisagens interiores. Trabalhando com a ideia de “movimento mediado”, Eliasson estabelece um percurso ascensional no interior da austera caixa de concreto, criando diferentes ambientações em cada um dos quatro andares do museu, que passam por troncos de árvore com fungos, piscinas com plantas aquáticas, pisos de terra prensada, e chegam ao topo do prédio em uma sala enevoada, onde uma ponte instável se perde em meio a uma intensa neblina, levando o visitante um tanto desnorteado a terminar o percurso diante de uma parede cega, que o obriga a retornar, e assim rever ao revés todo o trabalho.” (p. 279)

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Guilherme Wisnik

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