A duquesa de Cambridge e o significado da tatuagem do guerreiro Maori


<![CDATA[Em 2014, a duquesa e o duque de Cambridge, Kate Middleton e príncipe William, foram recebidos na Nova Zelândia por uma cerimônia Maori tradicional. O The Guardian fez uma reportagem sobre o acontecimento, que trata dos significados das tatuagens dos guerreiros Maori presentes. A Ubu tem em catálogo o livro Arte e agência, de Alfred Gell, que, entre outras coisas, analisa alguns padrões de tatuagens de povos aborígenes, como o Maori. Por isso, a Ubu achou interessante traduzir a reportagem.

Ao chegarem em Wellington, a duquesa e o duque de Cambridge foram recebidos por uma cerimônia formal Maori, que se chama powhiri, liderada por um guerreiro.
O taurape (tatuagem nas nádegas) e o puhoro (tatuagem nas coxas) dão ênfase à principal área de ação do corpo do guerreiro, diz o especialista em tatuagem Maori Tim Worrall. “Os músculos maiores, os meios pelos quais se vê a agilidade do guerreiro”.
Os padrões vistos na foto são comumente associados a guerreiros e, diz Worrall, “expressam sua vitalidade essencial”?. Existe o motivo koru, a parte final de uma samambaia que se desenrola, representando uma conexão com o mundo natural. “Esse guerreiro também tem formas manaia no moko [tatuagem Maori] de suas costas. Manaia simboliza a conexão entre diferentes reinos. As expressões curvilíneas, construídas com espaços positivos e negativos, se referem aos mundos espiritual e temporal”.
Na cultura Maori, vermelho é a cor de maior status e significa prestígio e autoridade. “Muitos Maori apreciaram o vestido vermelho que Kate Middleton usou: essa cor representa mana (status elevado) no Te Ao Maori (o mundo Maori). Tradicionalmente, indivíduos de status elevado se enrolariam em ocre vermelho para um evento desse porte”.
Durante o powhiri, o príncipe William experienciou o wero (desafio), uma parte antiga do ritual de encontro e união. O guerreiro posicionou um dardo chamado rake tapu em seus pés, que ele pegou enquanto mantinha contato visual com o guerreiro, para mostrar que vinha em paz.
“Isso evoca uma resposta que releva a natureza da chegada do convidado, e serve também como reconhecimento de seu mana“.
Worrall acredita que o casal real se portou muito bem. Ele disse que a duquesa de Cambridge recebeu com graça um hongi, cumprimento tradicional Maori no qual os narizes das duas pessoas são esfregados um no outro, do Maori Lewis Moeau (um descendente do líder rebelde Te Kooti, que popularmente lutou contra a coroa britânica). “O hongi é sobre compartilhar a respiração, a força vital”.
E quanto ao moko facial?
“Os Maori acreditam que a cabeça é a parte mais sagrada do corpo, e o moko enfatiza expressões faciais poderosas”.
Ele diz que o moko é a expressão física do sagrado interno. “Membros da tribo que são escolhidos para carregar o moko carregaram também o mana da whanau (grande família) e da iwi (tribo)”.
Combinada ao waiata (canto) e ao haka (dança), a recepção é uma experiência espiritual carregada, que invoca o mundo sobrenatural e os ancestrais dos participantes. “Ihi (espanto) é a carga espiritual pela qual o cabelo da parte de trás do pescoço se arrepia”.

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