Paulo Mendes da Rocha faz 90 anos e ganha exposição


Às vésperas de fazer 90 anos, Paulo Mendes da Rocha ganha exposição no Itaú Cultural, com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia de Martin Corullon, da Metro Arquitetos. Em reportagem para a Folha de S. Paulo, Francesco Perrotta-Bosch discute o lado inefável do ofício de Paulo Mendes da Rocha com o próprio, Wisnik e Corullon, dois de seus discípulos. Para o arquiteto nonagenário, “a fantasia é muito estimulante para nossa existência”. E “a arquitetura é a parte literária, o conteúdo lírico e poético da engenharia. É tão indizível quanto gracioso.’

De acordo com Wisnik,

A exposição elege enfocar projetos do arquiteto que lidam com a questão das águas, redesenhando a natureza através da técnica, e, com isso, potencializando suas virtudes intrínsecas. Daí a contínua provocação do arquiteto contra visões bucólicas da natureza em favor de uma ideia de natureza como projeto, de natureza como matriz de transformações inteligentes em favor do homem e da cultura. De certa forma, a matriz desse raciocínio está em um antigo projeto acalentado por intelectuais e engenheiros brasileiros de construir canais e portos que tornassem os rios sul-americanos navegáveis, permitindo a criação de uma “costa interior”. Trata-se de um projeto de território, de paisagem, que visa à sustentabilidade econômica do continente, e que se enquadra como um projeto exemplar de transformar a natureza valorizando as suas próprias virtudes. Um projeto que contesta a ênfase rodoviarista do desenvolvimento brasileiro, apontando para uma outra noção de desenvolvimento e de progresso.

A exposição abriu na quarta-feira (12/9), no Itaú Cultural, av. Paulista, 149. Ela acontecerá de ter. a sex., das 9h às 20h; sáb. e dom., das 11h às 20h. A entrada é gratuita.