Desobedientes da história


Desobedecer, de Frédéric Gros, analisa as razões e as raízes da desobediência. Selecionamos alguns desobedientes notórios, parte deles citados por Gros em seu livro.

Antígona, Antônio Conselheiro, Joana d’Arc, Mahatma GandhiMarielle Franco, Martin Luther KingRosa Parks e Edward Snowden, o que os une e o que os diferencia de outros desobedientes da história, que contaram com o suporte do poder?

Abaixo, um resumo do que cada uma dessas personagens fez de transgressor.

Antígona: Filha de Édipo, rebelou-se contra o édito de Creonte que determinava que Polinices, irmão dela, não seria sepultado com o cerimonial sagrado por ter traído a cidade de Tebas. Antígona deixou claro que não permitiria que seu irmão tivesse o corpo largado a esmo, para ser devorado pelas aves. Ela desobedeceu as leis humanas por irem de encontro às leis divinas. Por isso, foi condenada à morte, cometendo suicídio antes de ser assassinada.

 

Antônio Conselheiro: Líder da guerra popular de Canudos, revolta de milhares de sertanejos contra a república recém-instaurada. Eles lutavam também por melhores condições de vida na região, caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico. Os populares resistiram a três expedições militares contra Canudos. No entanto, a guerra terminou com a destruição dos assentamentos e o massacre dos que lutavam.

 

Joana d’Arc: Importante personagem francesa da Guerra de Cem Anos. Motivada por visões que dizia ter recebido dos santos Miguel, Catarina e Margarida, cortou o cabelo bem curto, vestiu-se de homem e começou a fazer treinamentos militares. Foi aceita no exército francês, chegando a comandar tropas. Descoberta e acusada, ela se recusa a obedecer as ordens de reconhecer seus erros e retomar a vestimenta feminina. Em 1430, foi acusada de praticar feitiçaria, em função de suas visões, e condenada à morte na fogueira. Foi queimada viva na cidade de Rouen, no ano de 1431.

 

Mahatma Gandhi: Idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não agressão, forma não violenta de protesto) como um meio de revolução. Gandhi realizou a marcha do sal, de 12 de março a 6 e abril de 1930, um ato de protesto contra a proibição, imposta pelos britânicos, da extração de sal na Índia colonial. Ele caminhou de Sabarmati Ashram a Dandi para pegar um pouco de sal para si. Um número muito grande de indianos o seguiu, mas os britânicos nada puderam fazer contra ele, pois não havia incitado os outros a seguirem-no.

 

Marielle Franco: Socióloga, eleita vereadora da Câmara do Rio de Janeiro em 2016. Crítica da intervenção federal no Rio de Janeiro e da polícia militar, denunciava constantemente abusos de autoridade por parte de policiais contra moradores de comunidades carentes. Em 14 de março de 2018, foi assassinada a tiros dentro de seu carro.

 

Martin Luther King: Pastor protestante e ativista político estadunidense. Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo. Seus esforços levaram à Marcha sobre Washington, de 1963, que reuniu 250 mil pessoas pelo fim da segregação racial. Na marcha ele fez seu discurso “I Have a Dream”, altamente conhecido. King foi assassinado em 4 de abril de 1968, hoje tem um feriado nos Estados Unidos em homenagem ao seu nascimento.

 

Rosa Parks: Foi uma costureira negra norte-americana, símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Ficou famosa por ter-se recusado a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, em 1 de dezembro de 1955, tornando-se o estopim do movimento que foi denominado boicote aos ônibus de Montgomery que, posteriormente, viria a marcar o início da luta antissegregacionista.

 

Edward Snowden:  Analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA que tornou públicos detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana. Em reação às revelações, os Estados Unidos o acusaram de roubo de propriedade do governo e comunicação não autorizada de informações classificadas como de inteligência. Desde 2013, Snowden está em asilo político na Rússia.

 

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