O PDF e a cadeia produtiva do livro


Um dos comentários mais recorrentes sobre livro é que ele “é caro”.

 

Aqui na Ubu, nós temos como política produzir livros de qualidade editorial e gráfica adequadas ao público a que eles se dedicam. Para os livros acadêmicos, por exemplo, além de pensarmos no conforto da leitura, textos complementares, peso e uso do livro, temos como premissa buscar o preço mais barato possível para atender a professores e estudantes.

 

Mas como é composto o preço de um livro? Ou como podemos deixar os livros mais baratos?

 

Para facilitar, vamos considerar apenas os custos editoriais e de impressão, e deixar de lado os custos de aluguel, site, equipe, isto é, da estrutura base para uma editora funcionar.

 

Em primeiro lugar, os custos implicados na edição de um conteúdo de alta qualidade.

Quantas vezes já ouvimos falar de péssimas traduções que atrapalham o entendimento de um texto? Quando decidimos publicar um livro acadêmico, contratamos uma série de profissionais qualificados para que esse projeto tenha a excelência e precisão que demanda e queremos atingir. Tomemos um livro padrão de 400 páginas:

 

  • Autor: normalmente, em livros acadêmicos, os autores (nacionais ou representados por editoras estrangeiras) são pesquisadores renomados que resolvem organizar suas pesquisas em torno de um tópico específico. Recebem entre 8% e 10% do preço capa de cada livro
  • Tradutor: um profissional que entenda do conteúdo do livro, tenha fluência nas duas línguas e saiba escrever bem. 
  • Preparador: responsável por deixar o texto mais fluido, bem formatado e sem erros de gramática. 
  • Revisão: procura eventuais erros de ortografia (por exemplo de nomes), e “pastéis”. 
  • Revisão técnica: corrige os termos técnicos e alguns conceitos dos livros acadêmicos. Normalmente é um especialista da área do livro.
  • Editor: além de escolher o título, coordena todos os profissionais e seus prazos, e garante a qualidade final do livro. 
  • Aparato crítico (prefácio, texto de orelha ou quarta capa): Normalmente profissionais renomados escrevem textos críticos para apresentar o livro. 
  • Índices onomásticos e remissivos: é um serviço para facilitar a pesquisa do leitor. 

 

 

Todos esses profissionais são super qualificados, e nós buscamos remunerar a dedicação de cada um de maneira adequada (na verdade gostaríamos de remunerá-los melhor). Nessa equação, o custo total pode variar, mas não será menor do que 30 mil reais. Se vendermos 100 ou 10.000 exemplares de um livro publicado, esse custo continua igual – é o custo fixo do livro.

 

Outro custo relevante do livro é o da impressão. O que caracteriza o custo de impressão é que ele varia conforme a escala: o preço unitário cai conforme aumenta a tiragem; quanto maior a tiragem menor o custo unitário. Um livro best-seller, que vende 50 mil exemplares, tem um custo unitário muuuuito menor do que um livro acadêmico impresso numa tiragem de 2 mil exemplares, para ser vendida em 2 ou 3 anos.

 

Sem abrir mão da qualidade, uma das melhores maneiras de diminuir o custo unitário de um livro é ter uma tiragem grande. Assim, os custos de edição (custos fixos) são divididos num número grande de exemplares, e o unitário fica mais barato.

 

Se, ao contrário, a demanda pelo livro diminui, se os leitores passam a ler o conteúdo do livro em xerox, PDFs ou ebooks hackeados – formas ilegais mas amplamente institucionalizadas –, é provável que toda a cadeia produtiva acabe afetada: a demanda pelo livro diminui, a tiragem consequentemente também, e o livro fica mais caro. Como extensão disso, a editora, que fez o investimento em um trabalho de qualidade, não recebe o retorno esperado, e a linha editorial simplesmente deixa de ser sustentável. Resultado: as editoras descontinuam sua publicação.

 

Sabe as famosas frases “o livro tá esgotado há anos, por que ninguém republica?” ou “o livro nunca saiu em português, por que ninguém publica?”? Provavelmente porque o número de compradores potenciais do livro não é suficiente para que a editora arrisque todo esse investimento no título.

 

Editoras como a Ubu, que acreditam em um projeto de divulgação acadêmica, dependem que os livros publicados vendam pelo menos 1000 exemplares por ano. Muitos dos livros do nosso catálogo estão escaneados em sites e mesmo em pastas compartilhadas por professores das universidades (!). Já deu pra perceber o que pode acontecer daqui uns anos, se não conseguirmos receber de volta todo aquele investimento feito, né? Precisaremos desistir de publicar novos títulos nessas áreas.

 

Se você acredita que o trabalho da Ubu contribui para a formação de gerações de estudantes e quer que continuemos publicando livros acadêmicos essenciais, evite o uso de cópias, não incentive a circulação de PDFs e prefira colaborar com a editora adquirindo um livro. Sempre que possível faremos promoções e descontos para estudantes, e, caso a biblioteca de sua faculdade não os tenha, nos avise, e tentaremos doar um exemplar.

Contamos com seu apoio!

 

Equipe Ubu

 

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