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O menino e o jacaré


Por Mônica Calderano

 

Dois anos tem o pequetito, e ele quer ouvir história. Não resolve livro só de figurinha, ele quer “livro de ler”, igual do irmão. “Mamãe, lê!”, ele avisa, mas não se acalma, não senta, mal ouve. Quer pôr a mão, quer fechar o livro, quer passar a página.

Até o dia em que conheceu o jacaré. Era noite de quarta-feira. Mal o jacaré tinha entrado pela porta do quarto e ele já foi se sentando, bem organizado ao lado do irmão, que deu o ok. “Pode ler, mãe…”

O livro conta a história da Luiza e do jacaré, mas pode ser a história de qualquer menina ou qualquer menino. Qualquer um daqui ou daí… Foram três páginas, e aconteceu pela primeira vez. Ele sorriu, olhou pro lado e sussurrou alguma coisa. Mais duas páginas e, de novo, sorriso, olho no olho do irmão e desta vez deu pra ouvir: “jacaré, não!”, ele disse, bem baixinho. Outra rodada, Luiza faz qualquer coisa com o jacaré, e riso solto. Alto. Gargalhada. Mais algumas páginas e spoiler! Ele se antecipa e grita, gargalhando, “jacaré, não!”, multiplicando o riso com o irmão. Agora a história é dele, ele é quem manda. O pequetito dita o ritmo, ri quando tem fôlego, completa as frases, e o irmão explica, pra não restar dúvida: “ele tá adorando, mãe!” Entrou no livro, tomou posse da menina e do jacaré, e vai levando-os consigo, sabe-se lá pra onde.

Fim das páginas, uma lista de coisas que jacaré não há de fazer, e vão dormir felizes o pequetito, o irmão, a mãe (e o jacaré)…

 
Mônica Calderano é jornalista e, por 11 anos, se dedicou ao jornalismo econômico. Em 2014, depois do nascimento de seu segundo filho, passou por uma reviravolta profissional e decidiu escrever sobre maternidade e infância no equilibrosa.com, site criado por ela.

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