Jogo de bola mesoamericano


O Popol Vuh é o grande livro da mitologia maia-quiché sobre origem do mundo e dos homens. Entre as histórias narradas, o jogo de bola é uma cena recorrente. Compartilhamos aqui uma nota da tradutora Josely Vianna Baptista sobre o assunto no livro.

Para compreender melhor as passagens do Popol Vuh em que se fala do jogo de bola, convém ler a descrição de Sahagún, que é a seguinte: “Outras vezes [o Senhor], como passatempo, jogava bola, e para isso tinha suas bolas de ulli guardadas; essas bolas eram grandes como umas grandes bolas de jogar boliche; eram maciças, de certa resina ou goma que se chamava ulli, que é muito leve e salta como bola de encher. E também trazia consigo bons jogadores de bola que jogavam em sua presença, e por ele, contra outros principais, e ganhavam ouro e chalchigüites e pepitas de ouro e turquesas e pulseiras, e mantas preciosas e maxtles [tangas] preciosos, e milharais e casas etc. [plumas, cacau, vestes de plumas]. O jogo de bola era chamado de tlaxtli ou tlachtli, que eram dois paredões, com uns vinte ou trinta pés entre um e outro, e com um comprimento de até quarenta ou cinquenta pés; estavam muito caiados os paredões e o chão, e teriam de altura uns sete pés e meio, e no meio do jogo havia uma risca que servia ao propósito do jogo; e no meio dos paredões, na metade do trecho do campo de jogo, havia duas pedras como pedras de moinho com um furo no meio, uma de frente para a outra, e tinham furos tão largos que a bola podia passar por eles. E o que metia a bola por ali ganhava o jogo; não jogavam com as mãos, golpeavam a bola com as nádegas; para jogar usavam luvas nas mãos e uma faixa de couro nas nádegas, para golpear a bola”. Frei Bernardino de Sahagún, Historia general de las cosas de la Nueva España, t. II. Cidade do México: Pedro Robredo, 1938, livro VIII, cap. X, p. 297. Para conhecer mais sobre o jogo e seu equipamento, há um vídeo interessante feito pelo Instituto Nacional de Antropología e Historia (Inah), do México. Disponível em:

O jogo de bola entres os Maias-Quiché (em espanhol)

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Popol Vuh
Josely Vianna Baptista (tradução crítica)
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