DescolonizaA�A?o e incerteza nas exposiA�A�es paulistas de arte contemporA?nea – Blog da Ubu editora

DescolonizaA�A?o e incerteza nas exposiA�A�es paulistas de arte contemporA?nea


Por Pedro de Niemeyer Cesarino

 

Ainda que a a�?questA?o indA�genaa�? e “antropolA?gica” estejam cada vez mais presentes na arte contemporA?nea, faltaria ainda o engajamento mais efetivo com os conceitos das prA?prias sociedades indA�genas na construA�A?o de narrativas pelas quais elas costumam ser compreendidas.

 

HA? mais de 50 anos, o antropA?logo Claude LA�vi-Strauss observava (em a�?As descontinuidades culturais e o desenvolvimento econA?mico e sociala�?) que a aparente singeleza tecnolA?gica das sociedades indA�genas implica, na realidade, mundos voltados para a�?uma vida que vale a pena ser vividaa�?. Essa singeleza A�, a rigor, um efeito da miopia moderna, cuja ideia de desenvolvido nos conduz cada vez mais para o abismo. A suposta conquista do desenvolvimento, dizia ainda LA�vi-Strauss, sA? existe por causa da destruiA�A?o das sociedades indA�genas, pelo saque de seus recursos minerais e territoriais; um saque de seu prA?prio corpo a�� a Terra,A�PachamamaA�a��, que os modernos separam de si e submetem A� sua voracidade produtiva.

A reversA?o de tal processo A� responsabilidade de todos os agentes pensantes contemporA?neos, ainda mais em tempos obscuros. A� tarefa de artistas, curadores, intelectuais e escritores envolvidos em urgA?ncias cuja transversalidade nA?o pode ser compreendida como mera intromissA?o ideolA?gica na esfera da arte; como suposto desvio da atenA�A?o do pA?blico de grandes exposiA�A�es tais como a Bienal de SA?o Paulo a�� aliA?s, recorde em sua findada 32a ediA�A?o. Entretanto, A� curioso que a autonomia da arte, mesmo dissolvida hA? tempos, pareA�a sobreviver na cabeA�a de crA�ticos brasileiros.

Para Rodrigo Naves (em artigo no jornalA�O Estado de S.Paulo,A�em 20 de setembro de 2016), quando se afasta uma a�?visA?o paternalista do povo brasileiroa�?, supostamente presente na 32A? Bienal, A� que surgem os poucos momentos convincentes a�?em que se incorpora com perspicA?cia a criaA�A?o das camadas mais pobres das populaA�A�es mundiais a conquistas da arte moderna e contemporA?neaa�?. No mais, a exposiA�A?o lhe pareceu fracassada por se fiar no papel redentor de minorias que, no entanto, contribuiriam apenas para a�?mudanA�as pontuais de leis e costumes, embora sua pouca vocaA�A?o para o poder a�� talvez para a nossa sorte a�� nA?o as coloque como alternativa de governoa�?. A arte teria, portanto, faltado na Bienal, por seu excessivo apego A�s a�?ideologias, [que] sA?o tigres de papela�?.

A crA�tica Aracy Amaral (O Estado de S.Paulo, 27 de setembro de 2016), por sua vez, desdenha a presenA�a excessiva de trabalhos que nA?o atingem o nA�vel de verdadeiras a�?obrasa�?, de uma a�?pintura maiora�?, de um a�?saber fazera�? caracterA�stico da produA�A?o de artistas individuais. A presenA�a indA�gena estaria ali reduzida ao que ela apresenta como o a�?trabalho de Vincent Carellia�?. A tentativa de a�?diA?logo com o meio ambientea�? ficaria, ainda, comprometida pela a�?dificuldade de uma poA�tica ou do contato com a realidade atual atravA�s da artea�?, que nA?o teria reagido, por exemplo, A� tragA�dia da mineradora Samarco no Rio Doce.

A presenA�a do VA�deo nas Aldeias aludida pela crA�tica merece comentA?rios. Ora, o seu mA�rito estA? justamente em extrapolar a figura do criador individual a�� Vincent Carelli a�� e se transformar em um agenciamento coletivo. Os projetos aA� desenvolvidos permitiram que, pela primeira vez em nossa trajetA?ria de dominaA�A?o, os povos indA�genas tomassem as rA�deas das tecnologias audiovisuais e transportassem para elas os seus critA�rios narrativos, estA�ticos e polA�ticos, que nA?o desapareceram com os novos instrumentos visuais, mas, antes, os traduziram de maneira singular.

O trabalho da colombiana Carolina Caycedo colhe igualmente seus frutos do engajamento ativista que, se nA?o realA�a o (tambA�m importante) papel do artista individual, nem por isso despreza aA�poiesis, ali capaz de produzir uma reflexA?o contundente sobre a contenA�A?o dos fluxos. A� o que vimos nas montagens fotogrA?ficas de barragens (metA?foras para represamentos diversos, polA�ticos). A� o que se destaca, tambA�m, na sA�rie que compreende a narrativa visualA�WatuA�e seu diA?logo com as escritas pictogrA?ficas amerA�ndias, tanto do ponto de vista da construA�A?o plA?stica quanto do texto, que incorpora as especulaA�A�es cosmolA?gicas indA�genas sobre o desastre ambiental do Rio Doce.

De toda forma, a presenA�a de pensadores das formas expressivas a�� o que me parece mais amplo do que a figura do artista ocidentalizado a�� poderia ter sido ampliada para uma presenA�a mais efetiva de agentes outros. A� ainda sob crivo de artistas nA?o indA�genas (como BenA� Fonteles, Maria Thereza Alves ou Gabriel Abrantes) que indA�genas marcam sua presenA�a, assim acomodados nas narrativas e referA?ncias dos outros. Trata-se, contudo, de uma Bienal que abriu o seu eixo curatorial para a arte produzida na A?frica, e a partir de seus dilemas, como demonstram os trabalhos de Misheck Masamvu e Mmakgabo Helen Sebidi. A armadilha, no entanto, estaria em valorizar suas pinturas e desenhos apenas enquanto a�?conquistasa�? atingidas pela adoA�A?o de uma forma plA?stica consagrada pela arte moderna, como se isso fosse critA�rio necessA?rio para aferir a sua pertinA?ncia via sua introduA�A?o no meio seleto da produA�A?o do gosto metropolitano.

Seria igualmente insuficiente desvalidar outras tantas propostas que exploram assuntos candentes tais como o feminismo, o colonialismo e o ativismo da imaginaA�A?o como meros improvisos antropolA?gicos desprovidos de alta elaboraA�A?o estA�tica ou acadA?mica. Se A� verdade que, nestas tantas exposiA�A�es recentes, a reflexA?o estA�tica, transversal e politizada, talvez ainda esteja em busca de seu modo de expressA?o para a produA�A?o do diA?logo desafiador, nA?o A� menos verdadeiro que ela se destaca por sua aA�A?o transformadora. A� justamente esta que pode ainda fazer da arte, para alA�m de suas configuraA�A�es elitistas, uma ferramenta poderosa de exercA�cio crA�tico, capaz de projetar as condiA�A�es de uma vida que merece ser vivida.

Para alguA�m que nA?o A� crA�tico de arte, como eu,A�as referidas impressA�es sobre a 32a Bienal sA?o esclarecedoras.A�Elas revelam uma dificuldade de certos setores de nossaA�intelligentsiaA�em assimilar os desafios demandados pelo colapso contemporA?neo.A�Afinal, as questA�es impulsionadas pela tal a�?ecologiaa�?, como bem mostraram DA�borah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro emA�HA? Mundo por Vir?A�(2014), nA?o pertencem mais a uma A?rea, mas a uma era. A 32A? Bienal de SA?o Paulo, entre erros e acertos, reflete sobre o papel de protagonismo que a arte pode ter nestes tempos conturbados. Em seus Dias de EstudoA�(seminA?rios e viagens que fizeram parte dos programas pA?blicos da Bienal), a 32aA�Bienal de SA?o Paulo se mostrou atenta a tais questA�es e A� diversidade de parceiros capazes de encaminhar possibilidades de discussA?o.

Quais serA?o, entretanto, os seus desdobramentos? Em que medida esse protagonismo poderia se valer de uma alianA�a mais profunda com outros modos de existA?ncia, jA? desenvolvida de maneira mais sistemA?tica por outras A?reas do conhecimento? Por quais razA�es ela ainda seria mal vista, como se fosse uma espA�cie de intrusa no edifA�cio da pura arte? Em quais outros projetos recentes podemos encontrar esforA�os similares, que valem uma reflexA?o sobre suas conquistas e impasses? SA?o questA�es certamente merecedoras de um estudo mais longo, ainda que seja possA�vel indicar aqui alguns caminhos.

Constatando o menosprezoA�da arte contemporA?nea brasileira pela presenA�a indA�gena no PaA�s, Moacir dos Anjos atribuiu recentemente ao processo colonial as razA�es de tal descaso. Para ele, a preocupaA�A?o estaria restrita A� produA�A?o de um pequeno grupo de artistas (Cildo Meireles, Anna Bella Geiger, Claudia Andujar, Miguel Rio Branco e BenA� Fonteles, alA�m de poucos jovens como Paulo Nazareth), no qual o curador encontra a�?o nA?cleo de uma arte brasileira contemporA?neaA�A�ndiaa�?, isto A�, a�?uma arte que seja afetada por uma guerra de ocupaA�A?o que estA? longe de ser terminada e que dela participe, com solidariedade e empatia, a partir de suas prA?prias capacidadesa�? (a�?Arte A�ndiaa�?, revistaA�Zum, 9/6/2016). Mesmo que pouco presente na produA�A?o contemporA?nea, a a�?questA?o indA�genaa�? a�� categoria tA?o politicamente importante quanto redutora a�� ainda assim norteou alguns projetos curatoriais de destaque na cidade de SA?o Paulo, todos contemporA?neos A� 32a Bienal.

O interesse do sistema visual ocidental pelos seus a�?outrosa�? A�, evidentemente, tA?o antigo quanto o prA?prio surgimento da arte moderna, alA�m de ser tematizado por exposiA�A�es polA?micas como aA�Magiciens de la TerreA�(Paris, 1989). Associada a uma tentativa de diA?logo com as ciA?ncias humanas, a preocupaA�A?o esteve presente em exposiA�A�es de peso, como a A?ltima Documenta (2012) e ao menos duas das A?ltimas ediA�A�es da Bienal de SA?o Paulo (2012, 2014). Mas foi nos A?ltimos dois anos que ela se mostrou mais fA�rtil por aqui, como atestam o projeto do prA?prio Moacir dos Anjos (A Queda do CA�u, PaA�o das Artes, 2015), a exposiA�A?oA�HistA?rias MestiA�asA�(Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, Instituto Ohtake Cultural, 2015) e oA�34A? Panorama da Arte BrasileiraA�(Aracy Amaral e Paulo Miyada, MAM, 2015-2016), alA�m da jA? referida 32a Bienal.

Trata-se de um espaA�o significativo, que aponta para um esforA�o fundamental de discussA?o de assuntos marginalizados, mas ainda assim marcado por equA�vocos que pedem reflexA?o. Ao escrever sobre os propA?sitos deA�HistA?rias MestiA�as, Adriano Pedrosa observa, com pertinA?ncia, que a imposiA�A?o da noA�A?o de objeto de arte corresponde a uma a�?europeizaA�A?o do mundoa�?, questionada desde os estudos pA?s-coloniais. O curador se refere, ainda, aos processos correntes de invenA�A?o de museus pA?s-etnogrA?ficos, que devem considerar a�?cada artefato como um gatilho para conceitos futurosa�? capazes de indicar um novo modo de disposiA�A?o dos espA?lios do imperialismo. A� por isso que o projeto nA?o pretendia ser uma a�?histA?ria da mestiA�agem, mas mestiA�agem de muitas histA?riasa�? (HistA?rias MestiA�as, Editora CobogA?/ Instituto Tomie Ohtake, 2015).

Movidos por uma preocupaA�A?o mais tradicional, os curadores doA�34A? Panorama da Arte BrasileiraA�pretendiam reavaliar a histA?ria da arte brasileira a partir dos objetos atribuA�dos A�s populaA�A�es sambaquieiras, que ocupavam a costa do PaA�s entre 4.000 e 1.000 anos a.C.A�Trata-se de populaA�A�es distintas das atuais amerA�ndias, mas com uma histA?ria tambA�m ignorada e pouco valorizada no Brasil. Os artistas selecionados (Cao GuimarA?es, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Erika Verzutti, Berna Reale, PitA?goras Lopes) explicam os curadores, a�?foram instados a produzir novos trabalhos que refletissem o Brasil de hoje, quiA�A? inspirados no de ontem, no que ele tem de inapreensA�vel enquanto conceito, assim como telA?rico enquanto presenA�aa�? (http://mam.org.br/exposicao/34panorama/, acesso em 16/08/2016).

A contraposiA�A?o de obras contemporA?neas com peA�as arqueolA?gicas apresentava impasses diversos, ancorados na noA�A?o de objeto estA�tico e nas formas de classificaA�A?o das coisas dos outros pelo processo colonial. Os curadores doA�PanoramaA�nA?o souberam a�� ou nA?o quiseram a�� transformar as emblemA?ticas vitrines arqueolA?gicas nas quais estavam as peA�as, contrapostas A�s produA�A�es contemporA?neas por uma linha vazia que remetia A� incA?moda divisA?o nA?s/eles. Do lado de lA?, seguiam projetos que oscilavam entre a incapacidade de engajamento com o problema (Berna Reale) e outras propostas mais interessantes. A� o caso de Cao GuimarA?es, que recupera o trabalho dos atuais catadores de conchas na regiA?o de Santa Catarina, entrevendo uma relaA�A?o outra entre meio, pessoas e coisas que remete, pelo contraponto atual, A�quele outro tempo em que os zoA?litos foram produzidos. Mas o discurso curatorial nA?o deixava de se valer de uma perspectiva temporal linear, que situa povos praticamente desconhecidos em nossa narrativa histA?rica, alA�m de atribuir A�s suas produA�A�es a condiA�A?o supostamente universal de objeto de arte.

SA?o muitos os dilemas deixados em aberto por tais projetos. Quando se evoca uma mestiA�agem de histA?rias, nA?o faltaria justamente a presenA�a mais efetiva dos critA�rios e conceitos alheios? Como mobilizar pensadores e criadores amerA�ndios a�� mas tambA�m de outras matrizes e inserA�A�es sociais a�� para que participem mais efetivamente da construA�A?o de narrativas pelas quais costumam ser compreendidos? Como lidar, tambA�m, com as consequA?ncias da circulaA�A?o de produA�A�es e ideias indA�genas (desenhos, artefatos e grafismos associados A� ayahuasca, por exemplo) pelo ambiente voraz da arte contemporA?nea?

Em relaA�A?o ao louvA?vel apelo polA�tico do projetoA�A Queda do CA�uA�(Moacir dos Anjos), caberia perguntar: em que medida traz A� tona as complexas categorias de pensamento expostas pelo xamA? yanomami Davi Kopenawa em seu livro, do qual a exposiA�A?o empresta o tA�tulo? NA?o faltarA? A� crA�tica polA�tica uma dimensA?o tambA�m conceitual, que pensadores amerA�ndios certamente seriam capazes de oferecer? EmA�A Queda do CA�u, obra jA? nascida clA?ssica, Kopenawa produz uma contundente e original crA�tica aos brancos, A�s suas instituiA�A�es de arte e obsessA?o por objetos. Como levar mais a sA�rio tais consideraA�A�es?

A� o que parece faltar, mais uma vez, em outro projeto mais recente curado por Moacir dos Anjos: Adornos do Brasil indA�gena a�� resistA?ncias contemporA?neas (SESC Pinheiros, 2016). Neste caso, a convivA?ncia de peA�as elaboradas por populaA�A�es indA�genas contemporA?neas, objetos arqueolA?gicos e produA�A�es de artistas visuais nA?o-indA�genas se baseia em noA�A�es genA�ricas tais como identidade e resistA?ncia, sem que se estabeleA�a um diA?logo mais profundo com os dispositivos conceituais mobilizados por antropA?logos (indA�genas ou nA?o). Ora, A� tambA�m no A?mbito da alianA�a entre formas de pensar e de se expressar que se estabelecem estratA�gias de resistA?ncia alternativas ao uso de categorias amplas pelas quais os outros costumam ser reduzidos.

Os desafios em questA?o se referem A�s defasagens derivadas do encontro trA?gico entre mundos, que tem como resultado nA?o apenas a destruiA�A?o fA�sica e territorial imputada aos nativos, mas tambA�m o obscurecimento de suas originalidades reflexivas. Agora, entretanto, o desafio se amplia para a incerteza de um mundo futuro, comprometido pela guinada ultraconservadora mundial que sA? tenderA? a agravar as crises climA?ticas e suas decorrA?ncias. Se o problema ultrapassa as divisA�es nA?s/eles jA? aqui comentadas, A� porque nos obriga a descobrir o que hA? por trA?s da categoria a�?indA�genaa�?: uma multiplicidade de mundos, de formulaA�A�es do polA�tico e do pensamento. Talvez mais interessante do que a fracassada versA?o “homem branco falogocA?ntrico” A� qual estamos submetidos; e, quiA�A?, por possuA�rem nA?o exatamente pouca, mas uma outra (e mais durA?vel) vocaA�A?o para o poder. Aprender com esse conjunto de prA?ticas e conhecimentos se mostra fundamental quando o sistema capitalista mundial dA? sinais de colapso, quando a prA?pria possibilidade do humano moderno, ancorado em suas certezas autocentradas, A� colocada em xeque por alteraA�A�es sistA?micas irreversA�veis. Como pensar, a partir daA�, em uma arte menos narcisista e mais voltada para sua capacidade de produzir encontros e conexA�es entre distintos modos de existA?ncia?

 

 

Pedro de Niemeyer Cesarino A� professor do Departamento de Antropologia da Universidade de SA?o Paulo, na A?rea de pesquisa Antropologia das Formas Expressivas. Os assuntos centrais de seus estudos sA?o xamanismo, cosmologia, tradiA�A�es orais, traduA�A?o e antropologia da arte.

 

EsteA�texto A� uma junA�A?oA�e reediA�A?o de dois artigos publicados pelo autorA�na revista ArteBrasileiros: “Os amerA�ndios e a incerteza na arte contemporA?nea“, setembro de 2016, e “A descolonizaA�A?o na 32A? Bienal de SA?o Paulo“, dezembro de 2016.

Imagem de capa:A�Cineasta do VA�deo nas Aldeias em aA�A?o. Foto: DivulgaA�A?o

 

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