literatura


Koch-Grünberg e a lenda de Macunaíma

A edição da Ubu de Macunaíma conta com o estabelecimento do texto de Telê Ancona Lopez e Tatiana Longo Figueiredo e oferece uma nova chave de leitura ao romance, com foco especial para as fontes indígenas utilizadas por Mário de Andrade em sua composição. Mário, para escrever o clássico sobre o herói sem nenhum caráter, se valeu de muitas fontes. Como disse o próprio autor: “copiei, copiei às vezes textualmente […], não só os etnógrafos e os […]


Prefácio a Poema-piada

Em 2017, a Ubu lançou Poema-piada: breve antologia de poesia engraçada, organizada por Gregório Duvivier. Este é o prefácio do livro, escrito pelo organizador, que fala sobre a relação entre humor e poesia.   À primeira vista, o poeta e o humorista pertencem a mundos diversos. O poeta-albatroz vê o mundo como o Google Earth: do alto do satélite ou da torre de marfim. O céu é do poeta — como o chão é do […]


Bastidores das ilustrações de Macunaíma

Luiz Zerbini foi o artista convidado para criar a capa e as ilustrações para a nova edição de Macunaíma, da Ubu. A edição privilegia o papel das fontes indígenas no romance, e as ilustrações se servem de plantas verdadeiras da vegetação brasileira. Zerbini é considerado um dos principais representantes da Geração 80 da arte brasileira. Já participou da Bienal Internacional de São Paulo e possui diversos trabalhos em coleções públicas, entre elas o Inhotim, o Museu de […]


De que riem os índios?

Intrigado pelas gargalhadas dos índios Chulupi ao ouvirem a narrativa de um mito, o antropólogo Pierre Clastres propõe levar a sério aquilo que os mitos têm de engraçado. O trecho abaixo foi extraído do ensaio “De que riem os índios”, publicado em A sociedade contra o Estado. A obra, publicada pela Ubu na coleção Argonautas, busca estabelecer um contraponto ao lugar um tanto solene que a mitologia ameríndia passou a ocupar depois da publicação contundente dos […]


Père Ubu é presidente!

Por Hal Foster É claro, a “pós-verdade” é um grande problema, mas e a “pós-vergonha” então? Como desafiar um político que não sente vergonha? Ou protestar contra um líder que impera no absurdo? Como desdadáizar um presidente dadá? Talvez, quando eles jogarem baixo, nós devêssemos jogar ainda mais baixo e escandalizar o escândalo. Ideias sobre a condição da pós-vergonha levam a refletir sobre os tempos pré-vergonha. A projeção mais escandalosa remete ao “pai primevo”. Lembremos que, em Totem […]


Canudos, Maio de 68 e o anarquismo húngaro de Sándor Márai

Por Paulo Schiller   Poucas coisas em literatura são mais improváveis do que a história da publicação de Veredicto em Canudos, do húngaro Sándor Márai, no Brasil, justamente em 2002, quando se comemoraram 100 anos da primeira edição de Os sertões. Podemos afirmar que, a par dos estudos dos especialistas, o livro de Márai se constituiu na grande surpresa do ano para os euclidianos. Alinhou-se, de imediato, junto de A guerra do fim do mundo […]


Entenda as duas edições de Os sertões

Para iniciar suas atividades, a Ubu escolheu lançar, em coedição com o Sesc, obra que é marco fundamental nos estudos sobre a formação brasileira: trata-se do clássico Os sertões, de Euclides da Cunha. A publicação celebra também os 150 anos do nascimento do escritor. O projeto se desdobrou em duas edições: a crítica e a crítica completa (box). A edição crítica completa, cuja tiragem é de apenas 1000 exemplares, conta com dois volumes. O primeiro traz […]


Emblemas da nacionalidade: o culto a Euclides da Cunha

Por Regina Abreu    “Percorro toda a nossa história e penso que Os sertões serão no futuro para o Brasil o grande livro nacional; o que Dom Quixote é para a Espanha ou Os Lusíadas para Portugal; livro em que a raça encontra a floração de suas qualidades; o espinheiral dos seus defeitos, tudo o que, em suma, é sombra ou luz na vida dos povos.” Roquette Pinto     A invenção da tradição euclidiana Os adeptos do culto a Euclides da […]