literatura


Père Ubu é presidente!

Por Hal Foster É claro, a “pós-verdade” é um grande problema, mas e a “pós-vergonha” então? Como desafiar um político que não sente vergonha? Ou protestar contra um líder que impera no absurdo? Como desdadáizar um presidente dadá? Talvez, quando eles jogarem baixo, nós devêssemos jogar ainda mais baixo e escandalizar o escândalo. Ideias sobre a condição da pós-vergonha levam a refletir sobre os tempos pré-vergonha. A projeção mais escandalosa remete ao “pai primevo”. Lembremos que, em Totem […]


Alfred Jarry iniciador e iluminador – por André Breton

“Pintar é somente fingir”: esta proposta de Corneille Curce, autor de uma obra intitulada Les Clous du seigneur (1634), Alfred Jarry a toma para si em um artigo abundantemente documentado sobre o mesmo assunto, que o Ymagier[1] publica em seu número 4, datado de julho de 1895. Sabe-se que hoje em dia ninguém mais do que ele é vítima de um dos piores flagelos de nosso tempo que é, em geral para propósitos sectários, a redução grosseira a um […]


Canudos, Maio de 68 e o anarquismo húngaro de Sándor Márai

Por Paulo Schiller   Poucas coisas em literatura são mais improváveis do que a história da publicação de Veredicto em Canudos, do húngaro Sándor Márai, no Brasil, justamente em 2002, quando se comemoraram 100 anos da primeira edição de Os sertões. Podemos afirmar que, a par dos estudos dos especialistas, o livro de Márai se constituiu na grande surpresa do ano para os euclidianos. Alinhou-se, de imediato, junto de A guerra do fim do mundo […]


Patafísica é um negócio sério

Por Pascal Engel   Patafísicos têm a reputação de não serem sérios. De fato, eles parecem ter elevado o espírito da não-seriedade não somente ao status de uma arte, mas também de uma ciência, a própria patafísica. Como afirma Richard Marshall[1]: “O patafísico insiste que nada é sério, incluindo a patafísica. A natureza enigmática desta determinação nos faz lembrar que o incentivo e guia do paradoxo requer agnosticismo, que pode assumir mais de uma forma.” As […]


Jarry, supermoderno – por Paulo Leminski

A folhas tantas do seu Manifesto do surrealismo (1924), André Breton rascunha um esboço de árvore genealógica do movimento da “escrita automática” e do sonho acordado, de que sempre foi uma espécie de papa: Poe é surrealista na aventura. Baudelaire é surrealista na moral. Rimbaud é surrealista na prática da vida e alhures. Mallarmé é surrealista na confidência. Jarry é surrealista no absinto. Alfred Jarry, porém, foi mais que um simples bebedor da terrível bebida, quase psicodélica, que levava […]


Entenda as duas edições de Os sertões

Para iniciar suas atividades, a Ubu escolheu lançar, em coedição com o Sesc, obra que é marco fundamental nos estudos sobre a formação brasileira: trata-se do clássico Os sertões, de Euclides da Cunha. A publicação celebra também os 150 anos do nascimento do escritor. O projeto se desdobrou em duas edições: a crítica e a crítica completa (box). A edição crítica completa, cuja tiragem é de apenas 1000 exemplares, conta com dois volumes. O primeiro traz […]


Emblemas da nacionalidade: o culto a Euclides da Cunha

Por Regina Abreu    “Percorro toda a nossa história e penso que Os sertões serão no futuro para o Brasil o grande livro nacional; o que Dom Quixote é para a Espanha ou Os Lusíadas para Portugal; livro em que a raça encontra a floração de suas qualidades; o espinheiral dos seus defeitos, tudo o que, em suma, é sombra ou luz na vida dos povos.” Roquette Pinto     A invenção da tradição euclidiana Os adeptos do culto a Euclides da […]


Breve dicionário hipocondríaco

Adolfo Montejo Navas  compartilhou um trailer de seu breve dicionário com a Ubu.   Aos que ressuscitam sem receita.   “Saúde demais é causa de doença” Gustave Flaubert   “Ninguém curte tanto a vida como o convalescente.” Walter Benjamin   ALGODÃO: Nuvem que se aplica para acariciar a pele ferida. ALZHEIMER: Doença do esquecimento total, que permite a Ronald Reagan, por exemplo, esquecer que era ator quando era presidente dos EUA e depois esquecer que […]