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Bastidores do projeto gráfico: Ressaca Tropical

Ressaca Tropical é originalmente uma instalação do artista Jonathas de Andrade que combina páginas transcritas de um diário encontrado no lixo com imagens cuidadosamente posicionadas nas paredes.        Condensar essa obra, essencialmente espacial, em um livro, pressupunha uma recriação, mas com a premissa de manter as sensações e o sentido poético da obra no novo suporte. Como a obra se dá na articulação entre o texto do diário e uma seleção de fotos do Recife […]







Bastidores das ilustrações: Andrés Sandoval e O Supermacho

Nada como conhecer o ateliê para conhecer o artista. O de Andrés Sandoval, no centro de São Paulo, está repleto de histórias. À primeira vista, paredes cheias de fotos de uma viagem que fez recentemente à sua cidade natal para mergulhar em suas origens. Chuquicamata fica no deserto do Atacama, no Chile, e é uma das maiores minas a céu aberto do mundo. A data de nascimento do artista corresponde à do golpe militar no país, ocorrido em 1973. Três […]







Um estudante na Casa Butantã

Embora tenha sido projetada para o arquiteto e sua família, a Casa Butantã não foi somente habitada pelos Mendes da Rocha. Em 1996, três nomes que se tornariam muito conhecidos no meio arquitetônico viveram ali. Durante três meses, Alvaro Razuk dividiu a casa com Álvaro Puntoni e Milton Braga. Hoje à frente de seu próprio escritório, Razuk reviveu conosco alguns episódios daquela época, quando ainda era estudante da FAU-USP.   A experiência compartilhada do espaço […]







Amores que matam: a casa e a cidade

Por Luis Fernández-Galiano Tradução de Josely Vianna Baptista   Há amores que matam, e nossa devoção pela casa é um deles. Cada número [da revista Arquitectura Viva] dedicado à casa nos compele a desfiar um rosário de desculpas. Sim, sabemos que o habitat disperso gerado pela moradia unifamiliar e pelo automóvel que a faz acessível é um absurdo ecológico, uma afronta paisagística e um empobrecimento social: o esbanjamento de recursos materiais e energéticos necessários para […]







Bastidores do projeto gráfico: Os sertões

Em 1897, Euclides da Cunha foi convidado pelo jornal O Estado de S. Paulo para fazer uma reportagem sobre a rebelião de Canudos, que resultou na obra Os sertões. O registro detalhado das características naturais do lugar serviu de inspiração para o projeto gráfico. Euclides estudou na Escola Militar e logo percebeu que o conhecimento do relevo foi fundamental para a resistência dos jagunços, que surpreendeu as autoridades. A importância do ambiente para o autor é revelada pelas anotações em suas cadernetas, pela escolha de […]







Bastidores das ilustrações: Talita Hoffmann e Jacaré, não!

Ao pesquisar um artista para ilustrar Jacaré, não!, de Antonio Prata, encontramos algumas obras de Talita Hoffmann, que usava a figuração de uma maneira inusitada, compondo elementos pouco usuais com uma paleta de cores muito particular. Ao receber o convite de Elaine Ramos, diretora de arte da Ubu, Talita não disfarçou a surpresa, pois nunca havia ilustrado um livro, e se engajou completamente no desafio.    – A proposta Ilustrar um texto que trata de uma criança […]







Canudos, Maio de 68 e o anarquismo húngaro de Sándor Márai

Por Paulo Schiller   Poucas coisas em literatura são mais improváveis do que a história da publicação de Veredicto em Canudos, do húngaro Sándor Márai, no Brasil, justamente em 2002, quando se comemoraram 100 anos da primeira edição de Os sertões. Podemos afirmar que, a par dos estudos dos especialistas, o livro de Márai se constituiu na grande surpresa do ano para os euclidianos. Alinhou-se, de imediato, junto de A guerra do fim do mundo […]







Jarry, supermoderno – por Paulo Leminski

A folhas tantas do seu Manifesto do surrealismo (1924), André Breton rascunha um esboço de árvore genealógica do movimento da “escrita automática” e do sonho acordado, de que sempre foi uma espécie de papa: Poe é surrealista na aventura. Baudelaire é surrealista na moral. Rimbaud é surrealista na prática da vida e alhures. Mallarmé é surrealista na confidência. Jarry é surrealista no absinto. Alfred Jarry, porém, foi mais que um simples bebedor da terrível bebida, quase psicodélica, que levava […]