Bastidores do projeto grA?fico: Ressaca Tropical – Blog da Ubu editora

Bastidores do projeto grA?fico: Ressaca Tropical


RessacaA�TropicalA�A� originalmente uma instalaA�A?o do artista Jonathas de Andrade que combina pA?ginas transcritas de um diA?rio encontrado no lixo com imagens cuidadosamente posicionadas nas paredes.A�

 

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InstalaA�A?o Ressaca Tropical na 12A? Bienal de Istambul, 2012. Imagem de divulgaA�A?o.

 

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InstalaA�A?o Ressaca Tropical na 12A? Bienal de Istambul, 2012. Imagem de divulgaA�A?o.

 

Condensar essa obra, essencialmente espacial, em um livro, pressupunha uma recriaA�A?o, mas com a premissa de manter as sensaA�A�es e o sentido poA�tico da obra no novo suporte.

Como a obra se dA? na articulaA�A?o entre o texto do diA?rio e uma seleA�A?o de fotos do Recife garimpadas em quatro acervos diferentes e ampliadas em vA?rios tamanhos, era importante que o livro mantivesse essa diversidade. QuerA�amos que ele tivesse o aspecto nA?o apenas de um diA?rio, mas de um repositA?rio de imagens ocasionais, por isso trabalhar com pA?ginas de formatos diferentes nos pareceu um caminho interessante. Essa soluA�A?o tambA�m nos permitiu colocar imagens e diA?rio nA?o somente em sequA?ncia, mas tambA�m em sobreposiA�A?o, em contato direto, e com isso estabelecer relaA�A�es diretas entre os conteA?dos, que ora se somam, ora se contradizem e se chocam, modulando o sentido da obra.

 

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Mas, normalmente, fazer um livro com pA?ginas variadas envolve um processo muito artesanal, pois as folhas tA?m que ser impressas e refiladas separadamente e intercaladas A� mA?o. AlA�m disso, a encadernaA�A?o tem que ser colada, nA?o pode ser costurada por conta das lA?minas soltas, resultando muitas vezes em um livro desajeitado e muito caro.
Fomos, entA?o, A� grA?fica Ipsis estudar o funcionamento da dobradeira e vimos que um deslocamento calculado das dobras do caderno de 12 pA?ginas poderia resultar em folhas de tamanhos diferentes, mas que, na encadernaA�A?o, se compensam, evitando que o livro fique com volumes desiguais. Essa dobra resulta em uma encadernaA�A?o com pA?ginas em 3 formatos. Fixamos a menor para o diA?rio, que foi datilografado na mA?quina Hermes Baby Cursiva a�� mA?quina do artista que jA? havia sido usada para a instalaA�A?o a��, e impresso sobre um fundo amarelo, que tem a funA�A?o de destacar essas pA?ginas e marcar um ritmo.
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A partir daA�, o trabalho foi de ediA�A?o: combinar o texto do diA?rio com as fotos e intervalos brancos, montando uma narrativa que se encaixasse na lA?gica fixa da intercalaA�A?o das pA?ginas resultante da dobra do caderno. Esse sequenciamento acabou por reforA�ar o sentido de rotina implA�cito no fluxo do texto do diA?rio. A ediA�A?o reproduz algumas articulaA�A�es entre texto e imagem importantes na instalaA�A?o original. Por exemplo,A�a primeira foto do livro A� tambA�m a primeira foto da instalaA�A?o, e os momentos mais erA?ticos do diA?rio foram combinados com imagens que corroboram com a temperatura mais alta.

A capa A� propositalmente sA?bria: ela guarda a surpresa do universo polifA?nico, um tanto precA?rio e caA?tico, que se descortinaA�no interior do livro. As informaA�A�es sobre a ediA�A?o e a exposiA�A?o se concentram no final, no mesmo papel da capa e das guardas, ficando, assim, destacadas do corpo do livro.

 

* Este livro foi contemplado pelo edital Funcultura do Governo do Estado de Pernambuco na linha Fotografia

 

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