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Bastidores das ilustrações: Talita Hoffmann e Jacaré, não!


Ao pesquisar um artista para ilustrar Jacaré, não!, de Antonio Prata, encontramos algumas obras de Talita Hoffmann, que usava a figuração de uma maneira inusitada, compondo elementos pouco usuais com uma paleta de cores muito particular. Ao receber o convite de Elaine Ramos, diretora de arte da Ubu, Talita não disfarçou a surpresa, pois nunca havia ilustrado um livro, e se engajou completamente no desafio.

 

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A proposta

Ilustrar um texto que trata de uma criança em situações cotidianas, mas que é repetidamente surpreendida pela presença de um elemento estranho e imaginário, o Jacaré. A empatia da criança que ouve a história com o personagem principal é fundamental para que a estrutura da narrativa funcione e, por isso, sua representação deveria permitir a identificação tanto dos meninos quanto das meninas.

O desenvolvimento

O livro foi todo estruturado pela alternância das páginas duplas das situações cotidianas – que, nos desenhos de Talita, já não são nada banais – e das páginas duplas totalmente malucas, nas quais aparece o Jacaré. Em cada aparição, o ambiente em que estava a criança se desconstrói, virando quase uma estampa.

Essa estrutura alternada também permitiu o uso de dois pantones, um de cada lado da folha impressa. Assim, há sempre um rosa flúor nas páginas duplas “cotidianas” e um pantone verde nas duplas do Jacaré. Isso deu mais vida aos desenhos, sobretudo ao do animal, resolvendo o problema de que o verde é uma cor que tende a ficar um pouco apagada quando representada na quadricromia (ciano, magenta, amarelo e preto).

A melhor parte, conta Talita, foi a interação com a Elaine, que acompanhou as primeiras ilustrações direcionando o estilo, incentivando a liberdade na representação das cenas, definindo a estrutura da paginação, além de dar forma ao livro: “Ela tinha ideias que eu nunca teria tido sozinha, como a de fazer da sobrecapa do livro um cartaz”.

O que mais gostou no processo

Ver o livro pronto. “As cores na tela do computador não são as mesmas do livro final e como eu nunca tinha trabalhado com ilustração, foi muito legal ver o resultado impresso. O rosa do pantone flúor ficou realmente muito aceso!”.

A parte difícil do trabalho

Horas de sono. “Realmente não dormi muito no mês final. O trabalho durou dois meses, mas no primeiro ainda estava tocando outros projetos em paralelo e pensei que um mês só ia dar. A complexidade do projeto foi maior do que eu esperava.”

Talita diz ter feito um processo bastante manual. “Ilustradores profissionais devem trabalhar direto no tablete. Eu fiz do jeito que eu sabia, que deve ser bem mais trabalhoso”.

O passo a passo das ilustrações

1. Desenho a lápis da composição inteira, que ocupa cada página dupla

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2. Scan do desenho para a pré-montagem do livro

3. Desenho definitivo, feito em camadas de papel vegetal

a. Contornos (nem todas as figuras têm contorno; o jacaré nunca tem, por exemplo)

b. Preenchimento com canetinhas coloridas, que evocam o universo infantil e geram o efeito desejado de pintura

   

4. Scan das camadas de originais

5. Trabalho no Photoshop para juntar as informações e converter uma das camadas de preenchimento para pantone

 

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