Bastidores das ilustrações de Macunaíma


Luiz Zerbini foi o artista convidado para criar a capa e as ilustrações para a nova edição de Macunaíma, da Ubu. A edição privilegia o papel das fontes indígenas no romance, e as ilustrações se servem de plantas verdadeiras da vegetação brasileira.

Zerbini é considerado um dos principais representantes da Geração 80 da arte brasileira. Já participou da Bienal Internacional de São Paulo e possui diversos trabalhos em coleções públicas, entre elas o Inhotim, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Itaú Cultural.

 

      

 

LIVRO

Publicado em 1928, Macunaíma representou por muito tempo o símbolo do “povo brasileiro” ou ainda daquilo que chamamos de “nação”. Esta edição, que conta com o estabelecimento do texto de Telê Ancona Lopez e Tatiana Longo Figueiredo, oferece uma nova chave de leitura ao romance, com foco especial para as fontes indígenas utilizadas por Mário de Andrade em sua composição. Como disse o próprio autor: “copiei, copiei às vezes textualmente[…], não só os etnógrafos e os textos ameríndios, mais ainda, na “Carta pras Icamiabas”, pus frases inteiras de Rui Barbosa, de Mário Barreto, dos cronistas portugueses coloniais”. No texto de Lúcia Sá, se explicita a cópia de trechos inteiros do mito de Makunaíma, tal qual recolhido pelo viajante alemão Theodor Koch-Grünberg.

Como sugere a apresentação de Eduardo Sterzi, mais do que alegoria da formação nacional, Macunaíma seria uma grande realização literária da antropofagia, “capaz de colocar tudo o que existe sob o signo da devoração […], em que comer o inimigo é não mera destruição e assimilação de outro corpo, mas, antes de tudo, um modo de experimentar o ponto de vista do inimigo sobre todas as coisas, especialmente sobre si”, citando Eduardo Viveiros de Castro.

 

MONOTIPIA

O processo usado para a produção das imagens do livro foi a monotipia, processo de impressão por prensa em que é possível reproduzir um desenho, forma ou mancha de cor em uma prova única, de onde surge seu nome. A impressão obtida com a monotipia não é uma duplicata fiel do desenho ou mancha original: na passagem para o papel (impressão) as tintas se misturam fazendo surgir efeitos imprevisíveis – e aí que está toda a graça do processo.

 

 

As ilustrações feitas por Luiz Zerbini são feitas com um procedimento similar ao de Mário com as fontes indígenas em seu texto. As monotipias não são “representações” da vegetação tropical: são as próprias plantas e objetos entintados que são colocados na prensa, imprimindo e dando relevo com sua textura ao papel.

 

 

O enredo

Inspirado por passagens do romance em que o heroi se apaixona por Cê, Zerbini decidiu incluir o elemento humano, convidando uma performer para se deitar na prensa e se misturar a plantas e folhagens. Você pode assistir um trecho do procedimento no vídeo abaixo.

 

*post criado pelo IdeaFixa, e adaptado para o blog, com o registro de todo o processo de produção das ilustrações do Macunaíma.

** Houve uma edição de colecionador, de 250 exemplares, em capa dura, com pedaços de monotipia original de sobrecapa, vendidas a R$299. Publicada para financiar todo o processo das ilustrações, e vendida diretamente pela Ubu, a edição se esgotou em 45 dias. A edição que está em catálogo, impressa em duas cores, com relevo na capa, chega ao público com um preço acessível.

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